VITEM Visto Temporário: Guia Completo para o Brasil
O VITEM é o visto temporário concedido a estrangeiros que vêm ao Brasil por prazo determinado. As finalidades incluem trabalho, estudo, pesquisa, investimento e reunião familiar. Cada modalidade recebe um algarismo romano e está prevista na Lei de Migração.
Escolher o VITEM correto é o primeiro passo de todo processo migratório. A regra vale para a empresa que transfere o executivo e para o próprio expatriado. Um enquadramento errado atrasa a chegada ao Brasil, gera exigência consular e pode até levar ao indeferimento do pedido.
Este guia explica o que é o VITEM e detalha os principais tipos usados por multinacionais. Também mostra como o processo funciona na prática, da solicitação consular ao registro na Polícia Federal.
O que é o VITEM e quando ele é necessário?
VITEM é a sigla de Visto Temporário. A categoria de VITEM visto temporário vale para o estrangeiro que vem ao Brasil por prazo determinado, sem intenção imediata de residência permanente. Ele é solicitado no consulado brasileiro no exterior, antes do embarque.
A base legal do VITEM está na Lei de Migração, a Lei nº 13.445, de 2017. A norma reformulou todo o sistema migratório brasileiro. O texto da Lei de Migração está disponível no portal do Planalto. Segundo ele, o visto temporário cobre um leque amplo de finalidades. Entram pesquisa, ensino, tratamento de saúde, acolhida humanitária, estudo e trabalho. Entram também férias-trabalho, atividade religiosa, reunião familiar e outras hipóteses definidas em regulamento.
Cada finalidade corresponde a um número de VITEM. Por isso, o primeiro cuidado é identificar corretamente o objetivo da viagem. A definição vem antes de protocolar o pedido. Um visto pensado para turismo não autoriza trabalho, e um visto de estudo não substitui um visto de trabalho.
O VITEM é diferente do visto de visita. Este último cobre turismo e negócios de curta duração, sem vínculo de longo prazo. Ele também é diferente do visto permanente, reservado a hipóteses específicas como investimento relevante ou reunião familiar consolidada. O VITEM ocupa o meio do caminho: mais longo que uma visita, mais flexível que a residência permanente.
Quem precisa solicitar um VITEM antes de vir ao Brasil?
Precisa de VITEM todo estrangeiro que vier permanecer no Brasil por mais de 90 dias. A viagem deve ter finalidade específica, como trabalho, estudo de longa duração ou pesquisa. A exigência vale tanto para o titular quanto para os dependentes que o acompanham, como cônjuge e filhos.
Alguns países têm acordo de isenção de visto para turismo. Mesmo assim, seus nacionais precisam do VITEM quando o motivo da viagem é outro. A isenção de visto de turista não cobre trabalho, estudo prolongado nem residência.
Quais documentos costumam ser exigidos para solicitar um VITEM?
A lista varia conforme a finalidade, mas alguns documentos aparecem na maioria dos processos. Reuni-los com antecedência evita atraso no protocolo e no agendamento consular.
- Passaporte válido, com prazo de vigência compatível com a duração da estadia prevista.
- Comprovante da finalidade da viagem, como contrato de trabalho, carta de aceite acadêmica ou comprovante de investimento.
- Certificado de antecedentes criminais do país de origem, geralmente com prazo de validade limitado.
- Certidões civis, como nascimento ou casamento, quando há dependentes no processo.
- Comprovante de meios de subsistência, exigido em algumas modalidades para atestar capacidade financeira durante a estadia.
Documentos emitidos em outro idioma normalmente exigem tradução juramentada. Quando o destino é o Brasil, também exigem apostilamento no país de origem, antes do embarque. Esse cuidado documental costuma ser tão determinante para o sucesso do pedido quanto o enquadramento correto do tipo de VITEM.

Quais são os principais tipos de VITEM?
O sistema brasileiro prevê VITEM numerados de I a XIV. Cada um está associado a uma finalidade e a uma Resolução Normativa do Conselho Nacional de Imigração, o CNIg. Conhecer os principais tipos evita erro de enquadramento logo na primeira etapa do processo.
- VITEM I: pesquisa, ensino ou extensão acadêmica, para professores e cientistas vinculados a instituição brasileira por mais de 90 dias.
- VITEM IV: estudo de longa duração, para quem vem cursar graduação, pós-graduação ou programa de intercâmbio.
- VITEM V: trabalho, com ou sem vínculo empregatício, a modalidade mais usada por empresas que transferem profissionais para o Brasil.
- VITEM IX: investidor pessoa física, para quem aporta capital em empresa brasileira e assume função de gestão.
- VITEM XI: reunião familiar, para cônjuge, companheiro ou filho de brasileiro ou de residente já estabelecido no país.
- VITEM XIII: residência decorrente do Acordo de Residência do Mercosul, para nacionais de países signatários do bloco e associados.
Dentro do VITEM V, há ainda subdivisões técnicas relevantes para empresas. A assistência técnica sem vínculo empregatício segue regras próprias e prazo mais curto. Ela cobre manutenção, instalação e treinamento de equipamentos. Vale consultar o guia sobre o visto técnico RN 03. Ele detalha quando a modalidade se aplica e como difere do vínculo empregatício tradicional.
Como escolher o VITEM certo para cada situação?
A escolha do VITEM correto depende de três perguntas simples: qual é a atividade exercida no Brasil, há vínculo empregatício com empresa brasileira e qual o tempo de permanência previsto. As respostas apontam diretamente para a modalidade adequada.
Um técnico que vem apenas instalar um equipamento e retornar em semanas normalmente se enquadra em assistência técnica sem vínculo. Já um executivo contratado por empresa brasileira, com carteira assinada e salário pago no país, segue outro caminho. Ele precisa de autorização de residência com vínculo empregatício, tratada pela RN 02.
Nacionais de países do Mercosul e associados têm um caminho simplificado. Pelo Acordo de Residência do Mercosul, nacionais de oito países podem obter residência temporária de até dois anos. O tratado foi promulgado pelo Decreto nº 6.975, de 2009. A lista inclui Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru. A documentação é reduzida, sem as exigências dos demais vistos de trabalho.
Existem outros tipos de VITEM além dos mais comuns?
Sim. Além dos tipos usados com mais frequência por empresas, o sistema brasileiro prevê outras modalidades voltadas a públicos específicos. Conhecê-las ajuda a identificar situações menos usuais dentro de um mesmo grupo econômico.
- VITEM II: tratamento de saúde no Brasil, quando o estrangeiro vem para procedimento médico prolongado.
- VITEM VI: férias-trabalho, voltado a jovens de países com acordo específico com o Brasil.
- VITEM VII: atividade religiosa, para ministros de confissão religiosa vinculados a entidade no país.
- VITEM VIII: serviço voluntário, para quem atua em entidade sem fins lucrativos ou organização vinculada a governo estrangeiro.
- VITEM XIV: aposentados e pensionistas que comprovam renda mínima transferida mensalmente ao Brasil.
Cada modalidade tem requisitos próprios de documentação e prazo de validade. Eles são definidos pela Resolução Normativa correspondente do Conselho Nacional de Imigração.
Qual a diferença entre VITEM e autorização de residência?
Essa é uma confusão comum entre empresas que fazem transferência internacional pela primeira vez. O VITEM é o visto emitido pelo consulado brasileiro no exterior, antes da viagem. A autorização de residência é o ato administrativo que permite a permanência do estrangeiro no Brasil.
Na prática, os dois andam juntos. Primeiro, o Ministério da Justiça e Segurança Pública analisa e concede a autorização de residência com base na finalidade declarada. Depois, o consulado emite o VITEM correspondente para que o estrangeiro embarque. Ao chegar ao Brasil, o processo se completa com o registro na Polícia Federal.
Algumas finalidades seguem um caminho anterior ao consulado. É o caso de pesquisa, trabalho com vínculo e investimento. O pedido tramita primeiro pelo sistema eletrônico do Ministério da Justiça. Só depois de deferido é que o interessado solicita o VITEM no posto consular do seu país de origem.
O VITEM expira? O que acontece depois da chegada ao Brasil?
O VITEM em si tem validade para entrada no território brasileiro, geralmente contada a partir da emissão. Depois da chegada ao Brasil, o prazo de permanência muda de referência. Ele passa a ser regido pela autorização de residência, não mais pelo visto.
Por isso, o passo seguinte é obrigatório: registrar-se na Polícia Federal dentro do prazo estabelecido e obter a Carteira de Registro Nacional Migratório, a CRNM. Sem esse registro, a permanência do estrangeiro no Brasil fica irregular, mesmo que o VITEM tenha sido emitido corretamente.
Como funciona o processo de solicitação do VITEM?
O processo segue uma sequência lógica. Os prazos variam conforme a modalidade e o país de origem do solicitante. Entender as etapas ajuda a empresa a planejar a data de chegada do profissional com mais segurança.
- Definição da finalidade da vinda e identificação do VITEM correspondente.
- Reunião da documentação exigida, como contrato, diploma, antecedentes criminais e comprovantes da empresa brasileira.
- Protocolo do pedido de autorização de residência, quando aplicável, junto ao órgão competente.
- Deferimento da autorização e emissão da guia para solicitar o visto no consulado.
- Solicitação do VITEM no posto consular brasileiro no país de origem.
- Viagem ao Brasil e registro na Polícia Federal para obter a CRNM.
O Portal de Imigração do Ministério da Justiça e Segurança Pública publica periodicamente as Resoluções Normativas atualizadas do CNIg. Elas detalham requisitos, documentos e prazos de cada modalidade de visto e autorização de residência.
Empresas que transferem colaboradores com frequência costumam centralizar esse fluxo. A Target Relocation atua há mais de 20 anos em imigração corporativa e atende mais de 70 multinacionais. Consultorias como ela organizam o checklist documental desde o início e definem qual RN se aplica. O acompanhamento vai até o registro final na Polícia Federal.

Quanto tempo leva para obter um VITEM?
O prazo varia conforme o tipo de visto, o país de origem e o volume de pedidos no consulado. Processos de trabalho com vínculo empregatício costumam levar de quatro a oito semanas. A contagem vai do protocolo da autorização até a emissão do visto consular.
Vistos ligados ao Acordo do Mercosul tendem a ser mais rápidos, já que a documentação exigida é mais enxuta. Já pedidos de investidor ou de transferência intragrupo podem levar mais tempo. Eles exigem análise societária e comprovação financeira mais detalhada.
Erros comuns ao solicitar o VITEM
Alguns deslizes se repetem em processos de mobilidade internacional, mesmo em empresas experientes. Conhecê-los ajuda a evitar atraso na chegada do profissional e retrabalho documental.
- Escolher o VITEM errado para a atividade real exercida no Brasil. Um técnico que vai atuar com vínculo empregatício não pode usar assistência técnica sem vínculo.
- Não considerar os dependentes no planejamento do visto. Cônjuge e filhos também precisam de VITEM próprio, geralmente por reunião familiar.
- Deixar a tradução e a legalização de documentos para a última hora. Diplomas, certidões e antecedentes muitas vezes exigem tradução juramentada e apostilamento antes de entrarem no processo.
- Ignorar o prazo de registro na Polícia Federal após a chegada. O VITEM autoriza a entrada. O registro é o que completa a regularização.
- Achar que a isenção de visto de turista cobre trabalho. Turismo e atividade laboral são finalidades distintas. Cada uma tem seu próprio visto.
O erro mais custoso costuma ser o de enquadramento inicial. Quando o VITEM não corresponde à atividade real do profissional, a autoridade migratória pode indeferir o pedido. A empresa então precisa reiniciar todo o trâmite do zero.
Perguntas frequentes sobre o VITEM
O que é VITEM?
VITEM é a sigla para Visto Temporário. A categoria é concedida a estrangeiros que vêm ao país por prazo determinado. As finalidades incluem trabalho, estudo, pesquisa, investimento e reunião familiar. Cada tipo recebe um número de I a XIV, conforme a Lei de Migração.
Qual VITEM usar para trabalho no Brasil?
O VITEM V é o mais associado a trabalho. Ele cobre tanto vínculo empregatício quanto atividades sem vínculo, como assistência técnica e prestação de serviço. A modalidade exata depende do tipo de contrato e da duração da atividade. Empresas costumam consultar consultorias especializadas, como a Target Relocation, para confirmar o enquadramento correto antes de protocolar o pedido.
Vale a pena contratar assessoria para solicitar o VITEM?
Para processos pontuais e simples, a empresa pode conduzir o pedido internamente. Já em transferências recorrentes, com múltiplos países e perfis de profissionais, a assessoria especializada reduz risco de indeferimento e atraso. Ela também organiza a documentação de dependentes e acompanha o registro na Polícia Federal após a chegada.
Qual a diferença entre VITEM e visto de turista?
O visto de turista, ou visto de visita, serve para estadas curtas sem finalidade de trabalho, estudo prolongado ou residência. O VITEM cobre justamente essas finalidades de mais longo prazo. Usar um visto de turista para exercer atividade remunerada no Brasil configura irregularidade migratória, sujeita a sanções pela autoridade competente.
O VITEM permite trazer a família?
Sim. Cônjuge, companheiro e filhos podem obter VITEM por reunião familiar, vinculado ao visto do titular. Cada dependente apresenta documentação própria, como certidão de casamento ou nascimento. Esses papéis normalmente passam por tradução juramentada e apostilamento. O processo corre em paralelo ao do titular. Ainda assim, exige atenção a prazos e documentos específicos de cada membro da família.
Conclusão
O VITEM visto temporário organiza a entrada de estrangeiros no Brasil por finalidade, com regras específicas para cada tipo de vinda. Entender essa lógica evita que o profissional embarque com o visto errado. Também poupa a empresa de corrigir um processo mal enquadrado.
Da pesquisa acadêmica ao trabalho com vínculo, cada VITEM reflete uma etapa diferente da mobilidade internacional. O mesmo vale para investimento e reunião familiar. O Brasil, signatário de acordos regionais como o do Mercosul, oferece caminhos simplificados a nacionais de países vizinhos. Para quem permanece por anos no país, o passo seguinte costuma ser a naturalização brasileira.
Para empresas e profissionais, o aprendizado central é o mesmo de qualquer processo migratório bem-sucedido: identificar a finalidade real da vinda antes de qualquer protocolo. É esse enquadramento inicial que determina se o restante do caminho será simples ou cheio de obstáculos evitáveis.





